Uma nova regra aprovada pelo Governo Federal prevê que mais de 4,5 milhões de trabalhadores deixem de ter acesso ao abono salarial até 2030. A mudança começou a valer neste ano e altera gradualmente o limite de renda exigido para receber o benefício.
A partir de agora, o teto será corrigido apenas pela inflação, enquanto o salário mínimo continuará recebendo reajustes acima do índice inflacionário.
Segundo estimativas divulgadas sobre a medida, mais de 500 mil trabalhadores já devem perder o direito ao benefício somente em 2026.
Até 2025, tinham direito ao abono salarial trabalhadores com renda média mensal de até dois salários mínimos. Com a nova regra, válida a partir de 2026, esse limite passa a ser atualizado apenas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), deixando de acompanhar os aumentos reais do salário mínimo.
Nova previsão ao longo dos anos
Na prática, isso fará com que o teto de elegibilidade diminua progressivamente ao longo dos anos. A previsão é que os limites fiquem em:
- 2026: 1,96 salários mínimos (R$ 2.765,93)
- 2027: 1,89 salários mínimos
- 2028: 1,83 salários mínimos
- 2029: 1,79 salários mínimos
- 2030: 1,77 salários mínimos
O objetivo final da medida é restringir o benefício a trabalhadores com renda de até 1,5 salário mínimo. A exclusão ocorrerá de forma gradual. Em 2026, cerca de 559 mil trabalhadores devem deixar de receber o abono.
Já em 2027, a previsão é que mais de 1,5 milhão sejam retirados do programa. Segundo o Ministério do Trabalho, o total de excluídos poderá ultrapassar 4,5 milhões até 2030.
Nos bastidores do governo, a mudança é tratada como parte de um pacote de ajuste fiscal voltado à sustentabilidade do Fundo de Amparo ao Trabalhador e à redução de gastos públicos.
A estimativa é de uma economia acumulada próxima de R$ 25 bilhões até 2030. Oficialmente, o governo argumenta que a proposta busca concentrar o benefício nas faixas de renda mais baixas e aumentar a eficiência social do programa.


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