Existem certos itens na nossa mesa que são praticamente indispensáveis. O que vamos falar aqui é um “queridinho” nas nossas manhãs e em determinados horários do dia. Porém, a notícia não é boa: afinal, está ficando mais caro nos mercados.

Os consumidores de café já começaram a sentir o impacto no bolso nos últimos meses. O aumento no preço do produto tem sido influenciado principalmente por dois fatores: os conflitos no Oriente Médio e os efeitos do fenômeno El Niño.

Embora atuem de formas diferentes, ambos contribuem diretamente para a valorização do café no mercado. Especialistas apontam que a tensão envolvendo Estados Unidos e Irã afeta a logística global de transporte marítimo, pressionando os custos da cadeia cafeeira.

Regiões estratégicas para o comércio internacional, como o Mar Vermelho e o Estreito de Ormuz, passaram a operar sob maior risco devido aos conflitos, encarecendo o transporte de mercadorias.

Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Valor do transporte via mar está mais “salgado”

Com isso, o valor do frete marítimo disparou nos últimos meses. O custo de um contêiner, que antes girava em torno de US$ 1,8 mil, chegou a atingir até US$ 7 mil em determinadas rotas. Esse aumento impacta desde a exportação do café brasileiro até a importação de insumos essenciais, como fertilizantes.

Outro reflexo da instabilidade geopolítica é a valorização do dólar frente ao real. Como o café é negociado internacionalmente na moeda norte-americana, a alta do câmbio influencia diretamente os preços praticados no mercado interno.

Com o dólar mais forte, produtores e exportadores reajustam os valores, e o consumidor acaba sentindo esse impacto nas prateleiras.

Além do cenário internacional, o fenômeno El Niño também tem causado prejuízos importantes às lavouras brasileiras.

Em 2026, as alterações climáticas provocaram temperaturas acima da média e irregularidade nas chuvas em importantes regiões produtoras, como Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia.

As condições de calor intenso e períodos de seca afetaram etapas fundamentais do ciclo produtivo do café, especialmente a floração e o enchimento dos grãos. Como consequência, houve redução tanto na produtividade quanto na qualidade da bebida.

A produção de café arábica foi uma das mais atingidas. Em áreas do Sudeste, o estresse térmico reduziu o tamanho dos grãos e comprometeu o potencial de qualidade da safra.

O calor antecipado e a menor incidência de frio também aumentaram o risco de floradas fora de época, o que pode gerar impactos negativos nas próximas colheitas.

Mesmo diante das dificuldades, especialistas avaliam que o setor ainda possui capacidade de recuperação. Novos plantios e a resistência do café arábica podem amenizar parte das perdas nos próximos ciclos.

As projeções para a safra 2026/27 seguem relativamente otimistas, com expectativa de exportações elevadas caso as condições climáticas apresentem melhora.

Ainda assim, produtores já trabalham com a necessidade de adaptar técnicas de manejo, investindo em sombreamento, conservação do solo e monitoramento mais preciso das lavouras para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.


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